A construção de uma marca passa pelos arquétipos citados pelo psicólogo suíço Carl G. Jung, autor do livro Os arquétipos e o inconsciente coletivo. A ligação entre marca e arquétipo está te deixando confuso? Vamos esclarecer isso!
Quando pensamos em histórias, mitos e fábulas, existem alguns tipos de personagens que são recorrentes. Na maioria das vezes, a estrutura narrativa conta com heróis, vilões, um sábio e até uma donzela em perigo.
Esse padrão é recorrente desde as histórias mais antigas de que se tem conhecimento, e está presente nas narrativas atuais, como em filmes e séries. Eles são chamados de arquétipos.
Segundo a definição de Carl G. Jung, arquétipos são:
- “formas ou imagens de natureza coletiva que ocorrem em praticamente toda a Terra como componente de mitos, e ao mesmo tempo, como produtos individuais de origem inconsciente. Os temas arquetípicos provêm, provavelmente, daquelas criações do espírito humano transmitidas não só por tradição e migração, como também por herança.”
Além disso, o termo arquétipo tem origem no grego antigo Archein, que significa original, e Typos, que significa modelo ou tipo.
O que talvez você não saiba, é que esses arquétipos também são usados na criação de uma marca e sua identidade, com o objetivo de criar uma conexão maior com os clientes em geral.
Marca e arquétipo
As teorias de marketing mostram que o mercado se segmenta por idade, gênero, profissão e hábitos. Apesar de correto, nem sempre isso é suficiente para dar estofo a persona de uma marca.
Para a criação de uma identidade mais forte e associável, pode-se usar os arquétipos. Eles compõem uma persona mais completa, que conversa de verdade com o público consumidor.
A identificação entre o público e o arquétipo assumido pela marca irá causar identificação, ou até mesmo desejo de se equiparar, aumentando muito as chances de sucesso.
Como descobrir o arquétipo da sua marca?
Para descobrir o arquétipo da sua marca, antes é preciso entender qual é a sua identidade e a da sua empresa. Tente desvendar sua personalidade como proprietário desse negócio.
Quando você entende os seus arquétipos como empresário, você consegue desvendar quais são os traços do seu negócio, e pode definir o arquétipo dele para com o público.
Para tal, existe um questionário que você pode preencher para compreender melhor a identidade da sua marca. Veja:
- 1. Qual é o seu propósito? Qual o propósito da sua marca?
- 2. Quais influências culturais são mais fortes para você?
- 3. Qual valor principal gostaria de compartilhar com a sua marca?
- 4. Qual impressão você deseja passar às pessoas?
- 5. Qual seu estilo de liderança?
- 6. Qual seu tom de voz?
- 7. Qual é o seu maior medo?
- 8. Qual seu lema / manifesto?
- 9. Como marca, qual seu objetivo principal?
- 10. Qual a transformação / ajuda que você fornece às pessoas?
Enfim, para que esse processo fique mais simples, primeiro você precisa conhecer os 12 arquétipos mais comuns. Vamos lá?
Os 12 arquétipos
Os 12 arquétipos junguianos são divididos em 4 subcategorias de acordo com seu principal desejo motivacional. Para descobrir o seu arquétipo também pode-se focar em qual é sua principal motivação.
Para traduzir isso para a sua marca, pense em seu público alvo, e como você pode transformar sua comunicação de forma a atender um público que parece com você.
Qual é a maior motivação de seu cliente ideal?
1 – Deseja pertencer
1.1 – Cara comum
O cara comum valoriza todas as pessoas, e é um arquétipo da democracia, que defende os direitos iguais de todos, e vive na simplicidade, pois odeia artificialismos.
O Visa, por exemplo, usa esse arquétipo
1.2 – Amante
O amante é o arquétipo que auxilia no processo de nos tornarmos atraentes para os outros. Está principalmente ligado ao amor romântico. O amante sempre quer se relacionar com todos intensamente e seu maior medo é ficar sozinho.
A Chanel, por exemplo, usa esse arquétipo.
1.3 – Bobo da corte
Esse é o arquétipo com um espírito brincalhão. O bobo da corte sempre é a alma da festa, sabe rir de todas as situações e vive simplesmente pelo prazer de viver e interagir.
O M&Ms, por exemplo, usa esse arquétipo.
2 – Deseja estabilidade
2.1 – Governante
O Governante é caracterizado por sempre querer ter o controle da situação. Sua motivação principal é conquistar e manter o poder. São líderes natos, que carregam grandes responsabilidades nas costas.
A Microsoft, por exemplo, usa esse arquétipo.
2.2 – Cuidador
O arquétipo do cuidador foca nos problemas dos outros, pois possui grande sensibilidade quanto à vulnerabilidade humana. Ele zela por todos, é altruísta, cuidadoso e apoiador.
Os Médicos Sem Fronteiros, por exemplo, usam esse arquétipo.
2.3 – Criador
Este é o arquétipo do artista, do inovador e empreendedor que utiliza a imaginação. Ele cria a partir da auto expressão, sendo não conformista e autêntico. Artistas, empresários, escritores, desenhistas e publicitários são típicos criadores.
O Lego, por exemplo, usa esse arquétipo.
3 – Deseja maestria
3.1 – Mago ou mágico
O mago é o xamã, o curandeiro, o bruxo, o alquimista ou o guru. Ele procura as leis fundamentais que governam as coisas e as aplicam de modo a transformar e melhorar a vida.
O Mastercard, por exemplo, usa esse arquétipo.
3.2 – Herói
O herói é aquele que salva o dia, enfrentando dificuldades, mas triunfando sobre elas no final. O personagem ou marca com qualidades heróicas têm foco, disciplina, e uma ânsia em proteger os inocentes das injustiças.
A Nike, por exemplo, usa esse arquétipo.
3.3 – Fora da lei
Podem existir muitos tipos de Fora-da-Lei, como o revolucionário, que se rebela contra uma sociedade repressora, conformista, corrompida e tirânica, sendo fiel a valores que não são dominantes.
Também existe aquele que não possui princípios e é uma espécie de anti-herói, que reconhece o seu poder e gosta de ser temido.
A MTV, por exemplo, usa esse arquétipo.
4 – Deseja plenitude
4.1 – Explorador
O explorador é impelido a explorar devido à sua sensação de não pertencimento, fazendo, como consequência, uma jornada de autodescoberta. O explorador valoriza a liberdade, e está disposto a correr atrás da própria felicidade.
A Amazon, por exemplo, usa esse arquétipo.
4.2 – Sábio
O sábio é o arquétipo que se interessa pelo aprendizado e pela sabedoria, acreditando que a felicidade está na instrução e na inteligência. Os sábios querem pensar por si mesmos e sustentar suas próprias opiniões.
O New York Times, por exemplo, usa esse arquétipo.
4.3 – Inocente
Por fim, o inocente deseja viver uma utopia, tentando alcançar o mundo perfeito para fugir das imperfeições da vida real. Ele quer buscar a felicidade através da bondade.
O Inocente anseia pelo emprego perfeito, o lar perfeito, relações perfeitas e uma vida ideal. A Disney, por exemplo, usa esse arquétipo.